Acabo de ler textos de uma pessoa maravilhosa, e ela me inspira a escrever. Descubro coisas dentro de mim, sinto aprimoramento, mas nada vem gratuitamente. Sou tomado por angústia, dor e sofrimento. Essas palavras aparecem sempre, e evidenciam minha proximidade de sensações negativas. Todavia, o momento é leve, e angústia, dor e sofrimento não passam de palavras (pelo menos, por enquanto). Entro em contato com a música, essa música que me soa leve e passageira. Linda é essa música. Descubro um vazio, não daqueles que obscurecem a mente e a alma, mas um que urge por preenchimento. Já está mais do que na hora de preencher o meu interior... com coisas boas... leves e passageiras... como a música. Esta me toma, e a ela me entrego - é irresistível. Acredito que pureza e ingenuidade sejam palavras adequadas para traduzir meus sentimentos em relação à música. É um som desprovido de excessos. Percebo imediata a associação entre realidade e crueza. O mundo e as coisas que nele acontecem soam roxas, aveludadas e cheiram a perfume barato. A música é anterior, e faz que acreditemos em contos de fadas, ou na mera possibilidade de sossego. Ela percorre espaços de meu interior nunca dantes navegados (o arauto português fala das descobertas de seu povo, mas ele mesmo não fazia idéia do quanto descobria de si próprio). Somente a arte para produzir dessas, afinal, de sensações e efeitos vivemos. Intelectualizo e sinto, as duas coisas caminham juntas. Não sei para onde vou. Momentos há em que me sinto um ás da sensibilidade, noutros estou nerd zuado etc. Assim caminha o Raphael. Mas veja só: aprendiz Raphael. As coisas são intangíveis. A superfície do mundo aparece nas relações. O efêmero se esvai ao mero toque. Como poderiam os homens sentir segurança em meio à eterna e inevitável busca? Não passo de um mero aprendiz, e acredito que devamos nos sentir enquanto tal, além de procurar situações que escancarem esse tipo de constatação. Sei que rodeio e não ataco pontos específicos, mas não o faço desprovido de consciência. Aquele tipo de consciência que traz a sensação de que nada mais nos resta. Com efeito, nada mais nos resta, a não ser permanecer atônitos e admirados ante o intangível. Saudade.
terça-feira, 13 de abril de 2010
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Rafa, gostei. Lindo o texto!
ResponderExcluir^^
Beijo!
E eu que olhei pro tamanho desse texto e pensei: não! Hoje, não! Mas, qualnão foi minha surpresa ao me deparar com: o final do texto! Uma força maior me fez continuar a ler. Explico - força maior = boa escrita!
ResponderExcluirParabéns Rapha!
Keep on going, just like I did.